Avenida Francisco Sá: o primeiro Polo Industrial do Estado do Ceará

Ao longo dos anos, diversos foram os fatores que levaram à consolidação daquela zona industrial.

A Avenida Francisco Sá foi sim o primeiro Polo Industrial do Estado. Mas é um engano pensar ter sido lá o local onde se instalara a pioneira da companhias cearenses. Demorou muito mais do se imagina para aqueles lados serem descobertos.


Industrial Pedro Philomeno Gomes, um dos pioneiros da região, e a Fábrica São José marcaram a história do polo industrial FOTO: ARQUIVO DO SISTEMA FIEC/DIVULGAÇÃO

Foram mais de quatro décadas desde a instalação, em 1883, da “Fábrica Progresso de Tecidos e Algodão”, dos irmãos Thomaz e Antônio Pompeu, no Centro da Cidade; até a chegada à antiga Estrada do Urubu, em 1926, do empreendimento de Pedro Philomeno Ferreira Gomes e das famílias Frota e Siqueira, que, depois passaria a se chamar “Fábrica de Tecidos São José”.

Aberta a porteira, vieram logo após, em 1927, a “Indústria Têxtil José Pinto do Carmo”, e, no ano seguinte, a Oficina do Urubu, da Rede Viação Ferroviária (RVC).


Via férrea ajudou

A via férrea, aliás, foi uma das razões do despertar daquela região para a atividade industrial. Em segundo lugar, os custos logísticos caíam expressivamente com um número maior de companhias localizadas em uma mesma rota de entrega, além, é claro, de abundância de mão de obra na região.

Esta só crescia, apesar, evidentemente, de não haver qualificação suficiente para operar máquinas modernas para a época. Ademais os terrenos eram grandes e de baixo valor, sendo localizados a uma relativa proximidade do Centro da Cidade, onde havia bancos, escritórios de advocacia e outros serviços estratégicos para o segmento.

Outro fator importante chega a ser curioso. Aquilo que seria o futuro parque de indústria de Fortaleza deveria ficar depois do bairro Jacarecanga, sentido Centro – Barra do Ceará, por uma simples explicação. Os ventos levariam o barulho e a fumaça produzida pelas fábricas na direção do mar, sem incomodar, assim, a tranquilidade dos alencarinos de melhor poder aquisitivo que tinham erguido seus palácios no bairro, justamente a procura de refúgio do aumento do fluxo de pessoas e chegada de comércios e empresas no Centro.

O geógrafo e professor emérito do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Luiz Cruz Lima, em sua pesquisa “A Indústria na Zona da Francisco Sá” explica como se deu essa expansão da Cidade. “A localização das indústrias nessa área, de certo modo, favoreceu a população de Fortaleza, pelo condicionamento da posição geográfica mais conforme, com ventos predominantes no sentido SE- NO, variando entre 110º e 130º, e que faz os gases expelidos pelas chaminés serem carreados ao Oceano. Não atingindo áreas residencial e comercial”, chegou a definir em trecho do estudo, publicado em 1974 e disponível na biblioteca da Federação das Indústrias do Estado do Ceará .

Prestes de completar 40 anos, o levantamento impressiona pela atualidade, sobretudo, dos problemas que o segmento passa hoje em dia, e que tiveram de ser superados, ainda naquela época, pelos primeiros desbravadores do setor no Ceará. “O crescimento de Fortaleza não obedeceu a orientação de um plano físico diretor. A localização das estruturas urbanas de forma espontânea é geradora de inúmeros problemas”, dizia um dos trechos do estudo.

Infraestrutura precária

De fato, a infraestrutura criada pelos próprios empresários foi precária. A água era boa, mas tinha que ser retirada de poços profundos, bancados pelos industriais. Segundo a Saagec (empresa responsável pelo abastecimento na época), “para fabricação de seus produtos qualquer água servia”. Também havia gastos elevados com geradores para manter a atividade industrial, por conta do inconsistente serviço de energia. Além disso, abertura de ruas, pavimentação, colocação de tubulações para fazer a drenagem das águas servidas, e até construção de vilas de casas para operários ficavam por conta dos proprietários das empresas. Por isso, era necessário bastante dinheiro para se instalar na área. O que explica um segundo período demorado, aproximadamente mais outras duas décadas, para que a zona industrial se consolidasse. (ISJ)

Fonte: Diário do Nordeste

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