Em busca do equilibrio financeiro

Por Tom Coelho

O crédito fácil pode levar a um ciclo de endividamento a juros elevados para quem não planeja suas finanças pessoais

Depois de anos usando transporte público, você decide aproveitar as taxas de juros mais acessíveis e os longos prazos de financiamento para adquirir seu carro próprio. Na concessionária, opta por um modelo mais completo, incluindo acessórios que custarão apenas alguns reais adicionais na prestação. Afinal, este é o número que você vislumbra: o valor do dispêndio mensal.

Passados alguns meses, você se vê em dificuldades para saldar o compromisso assumido. E, após atrasar o pagamento de duas parcelas consecutivas, assiste o banco ingressar com ação de busca e apreensão do veículo. Ao final, resolve devolver o carro, perdendo todo o investimento feito.

Esta não é uma história de ficção. É um fato recorrente, fruto de falta de planejamento financeiro. Ao investir na compra de um veículo, muitos estabelecem como foco apenas o valor da prestação que estimam ser possível assumir. Assim, esquecem-se das despesas com licenciamento, seguro obrigatório, IPVA, seguro do veículo, combustível, lavagem, estacionamento, pedágio, eventuais multas e manutenção do carro.

A busca do equilíbrio nas finanças pessoais passa pelo gerenciamento das receitas e das despesas. O lado das receitas é normalmente meio engessado. O assalariado pode buscar uma elevação de sua renda fazendo horas extras, desde que com a anuência da empresa. Ou realizar pequenos jobs, isto é, trabalhos autônomos para terceiros, a fim de reforçar o caixa.

Já o profissional com remuneração variável, ao mesmo tempo em que não dispõe da segurança proporcionada por um salário no final do mês, tem à sua disposição a possibilidade de, fazendo uso de sua habilidade e criatividade, gerar novos negócios, buscar novos clientes, aumentar suas receitas.

Mas é no campo das despesas que este jogo acontece. Segundo o IBGE, 85% das famílias brasileiras gastam mais do que ganham todos os meses. Dados do Banco Central indicam que o gasto com dívidas compromete 22% do salário do trabalhador brasileiro. Isso compromete a produtividade, o desempenho, os relacionamentos interpessoais e até mesmo os índices de acidentes no trabalho.

Para gerenciar suas despesas relacione todos os gastos possíveis dividindo-os em categorias: habitação, saúde, alimentação, educação, transporte, cultura, lazer, despesas financeiras, impostos e diversos.

Feito isso, algumas sugestões mostram-se pertinentes:

1. Monte sua própria planilha de despesas de acordo com sua realidade. Você poderá concluir, por exemplo, ser necessário trocar os serviços de uma empregada doméstica mensalista pelos préstimos de uma diarista duas vezes por semana.

2. Analise quais gastos podem ser eliminados, substituídos ou reduzidos. Talvez você tenha que eliminar alguns serviços de sua cesta, reduzindo seu padrão de vida atual. Isso pode simbolizar o cancelamento da TV paga, uma visita a menos por mês a um restaurante ou o uso mais regrado do telefone celular.

3. Evite comprar por impulso ou através de financiamento com juros. Opte por comprar à vista, sempre que possível. Um exercício interessante é aguardar uma semana para adquirir algum novo bem. Após este prazo, pergunte-se com franqueza se ainda precisa daquele objeto.

4. Ataque de frente e sem piedade suas despesas financeiras. Saia do crédito rotativo do cartão de crédito. Cancele-o e busque um juizado de pequenas causas para efetuar o pagamento do saldo devedor sem a incidência atroz de juros que chegam a 15% ao mês. Faça o mesmo com seu cheque especial, negociando seu parcelamento com taxas reduzidas.

Em suma, tome as rédeas de sua vida financeira e tenha na disciplina sua maior aliada.

Fonte: Administradores

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