Estresse ou falta de vontade?

Por Antonio Braga

Fico admirado com a falta de ânimo de algumas pessoas, sobretudo quando são jovens e vivem dizendo que estão cansadas, estressadas, por trabalharem muito, necessitando urgentemente de umas férias! Lamentavelmente essa ladainha é bastante comum nos dias de hoje. E esse desânimo é externado nos empregos, nos cursos de capacitação, nos relacionamentos com os clientes etc.

Quando pergunto a essas pessoas o porquê desse desânimo, desse astral lá embaixo, elas são rápidas em responder: “Estou com um ano sem tirar férias e olha que trabalho oito horas por dia durante toda a semana”. Realmente, pessoas assim são dignas de pena, não pelo fato de trabalharem muito, mas pela grande pobreza de espírito. E são exatamente aquelas que reclamam de tudo, que nada está bom. O patrão é exigente e explorador, a empresa é ruim para se trabalhar e paga mal, os colegas de trabalho não são leais, treinamento é perda de tempo, e assim por diante. O certo é que não falam nada de positivo, de agradável, e a insatisfação é presença constante e marcante nos seus rostos.

Num treinamento que ministrei em uma cidade havia uma jovem de 21 anos, bonita, mas a sua expressão era o retrato fiel do desânimo. Não queria participar dos trabalhos de grupo e quando participava permanecia calada, sempre com a cara de quem toma vinagre no lugar do café. Em um dos intervalos perguntei-lhe o porquê de tanto desânimo. Ela respondeu que estava cansada, estressada de tanto trabalhar, pois estava com um ano sem tirar férias. Perguntei-lhe se estudava à noite, após o trabalho, e ela respondeu que não. Se uma pessoa tão jovem já está morrendo de cansada, desmotivada, o que pode se esperar dela? A verdade é que muita gente faz o que não gosta e, como conseqüência, vem a falta de motivação e comprometimento com o que faz, por não ter competência e coragem para mudar.

Interessante que pessoas assim são exatamente aquelas que participam de treinamentos por obrigação, porque o patrão mandou, mas na realidade não têm o mínimo interesse no seu desenvolvimento profissional e pessoal. São pessoas que chegam mudas e saem caladas, que não contribuem em nada com seu grupo de trabalho e no final, ao contrário das interessadas, das participativas, dizem que deveria haver mais dinâmicas. Ora, para que mais dinâmicas de grupo se elas não participam? A especialidade delas é a reclamação como fuga pela falta de ação.

Por outro lado, existem pessoas que demonstram interesse em aprender, que até pensam no crescimento pessoal e profissional, mas vivem com a mente impregnada de pensamentos negativos. Ficam constantemente repetindo que são tímidas, razão por que não são participativas. Não há duvida de que pensamento gera comportamento, portanto quem tem pensamentos negativos age negativamente, ao contrário das pessoas positivas que sempre obtém resultados positivos. Como dizia o velho guerreiro, Chacrinha,“quem não se comunica se trumbica”. Isso é a pura verdade. Não adianta um bom conhecimento, uma cultura vasta, se você fica escondido atrás dos outros. Portanto, o primeiro passo a ser dado para a evolução pessoal e profissional é não ter medo de se expor, de falar, de errar. Aliás, só não erra quem não tenta acertar, mas, em compensação, tem de se conformar por permanecer na mesmice, sem o direito de reclamar.

A falta de autoestima é um grande obstáculo para muita gente, pois, por não acreditar em si, não estabelece limites para superar. Com isso, fica dominada pelo medo, não ultrapassando aquela linha imaginária, a partir da qual viria a vitória. Na vida, todo ser humano tem um grande concorrente a vencer, que é ele próprio. Esse é o grande desafio de todos. Infelizmente, muita gente sabe que os obstáculos existem e têm que ser superados para se conseguir a vitória, mas por falta de confiança, timidez, medo, limita-se a ficar quietinha, embora sempre correndo riscos. Portanto, a maior barreira que o ser humano tem para transpor está na sua mente e geralmente se pensa que são as dificuldades externas.

A mente é um verdadeiro campo fértil, onde se colhe o que se planta. A maior dificuldade é a decisão do que plantar nesse campo, pois a colheita é certa, porém na mesma proporção da qualidade da semente que for lançada. Deve-se conscientizar de que a vida não é um mar de rosas e se tudo fosse muito fácil, sem desafios, sem obstáculos para serem superados, continuaríamos como sempre, nunca cresceríamos.

Algumas pessoas dizem que se autoavaliam sempre, corrigindo os pontos fracos e aprimorando os fortes, em busca do crescimento profissional, estudando, treinando, participando de tudo, visando cada vez mais o melhor relacionamento com seus clientes e o sucesso. Isso é ótimo! E são desses profissionais que o mercado está carente e disposto a pagar mais pelo seu trabalho. Agora, pagar bem para quem está sempre cansado, desmotivado, reclamando da vida, descontando no cliente, é realmente difícil. Pessoas assim devem agradecer a Deus por se manterem empregadas, já que Ele perdoa a tudo, mas, infelizmente, quem sofre as conseqüências são os clientes, que, por sua vez, não perdoam.

Antonio Braga é Engenheiro Agrônomo, especializado em vendas, consultor, escritor, palestrante e instrutor de vendas. e-mail: sagracv@terra.com.br  Site: www.sagracv.com.br

Fonte:Administradores.com

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