Foco: gerenciar distrações

Por Kelly Gallinari

Digna de admiração, Dona Lala, também conhecida como vó Pretinha, está entre as avós mais dedicadas que já conheci. Era intensa e, peculiarmente, objetiva. A regra que determinava o quanto investia em suas relações interpessoais era simples: ou gostava e se dedicava ou desgostava e, por consequência, declarava, esbravejava e, por fim, desprezava.

Oito ou oitenta. Sim ou não. O talvez não a pertencia. Com a Vó Pretinha, pau era pau e pedra era pedra. Mulher de ferro!

Prendada na cozinha, os domingos eram recheados de inúmeros pratos e de familiares ao redor da mesa. A variedade de pratos era por conta de fazer questão de agradar todos os gostos. Tinha frango mas também tinha carne. Tinha macarronada com molho à bolonhesa mas também tinha com molho de sardinha. O arroz era temperado mas também tinha arroz branco para quem assim quisesse.

A vó ficava feliz em poder contemplar todos os gostos.

Diante de tanta variedade, era comum ouvir comentários do tipo: “ – Nossa, quanta coisa, não sei nem por onde começo”, ou “ – Se eu comer tudo isso vou engordar”, ou “Que exagero, não vai caber tudo isso no meu prato” ou ainda “Se eu comer tudo vou passar mal”.

Quando ouvia estes balbucios, imediatamente, a vó Pretinha sempre (sempre mesmo) respondia: “Está na mesa mas você não é obrigado a comer”.

Alguns riam da resposta da Dona Lála, outros achavam uma resposta mal educada. Engraçada ou mal educada, o importante é que a resposta era sábia.

Dona Lála era focada e sabia gerenciar distrações de sua equipe, ops, de sua família!

É, minha gente, ensinamentos de avó são aprendizados para a vida toda! E se tratando desta avozinha, ensinamentos de ouro!

Dona Lála, sem mesmo saber, tinha como premissa um dos valores mais importantes do mundo corporativo: o foco.

O dia-a-dia organizacional é recheado de imprevistos, obstáculos e distrações. Saber gerenciar estes fatores é uma competência rara dentre os profissionais. Quem a domina, garante resultados de alta performance. Quem não, passa o dia trabalhando, trabalhando, trabalhando e acaba o dia com sensação de que nada fez. Frustração, na certa.

Ao dizer: “Está na mesa mas você não é obrigado a comer”, a avozinha da história reforça que dentre as distrações, é preciso manter o foco. Não é porque a oferta é grande que você é obrigado a ‘provar’ tudo.

Pense naquele dia em que está dedicado a entregar um relatório importante para seu chefe e se depara com emails explodindo na tela do computador o tempo todo, o telefone que toca e pessoas entrando em sua sala. Sim, minha gente, a oferta é muita. Ou você limita seus afazeres ou tudo se torna uma longa jornada de atividades sem fim. Você prova de tudo e acaba com uma grande indigestão.

A demanda de trabalho em uma empresa é,e sempre será, infinita. O processo de melhoria e a busca por novas oportunidades fazem com as atividades nunca cessem. Sempre haverá mais de um tipo de comida na mesa. A diferença na performance está intimamente ligada à capacidade do profissional de delimitar suas atividades, focar no planejamento, execução/acompanhamento e resultado destas.

Vamos ver como facilitar esta conduta:

1 – PLANEJAMENTO: descrever suas pendências e enumerá-las por prioridade não é frescura nem perca de tempo. Engana-se e sabota-se quem ainda acredita que resolver problemas de curto prazo sustentam resultados. Por isso, planejamento e a palavra de ordem. As prioridades devem ser estabelecidas de acordo com o andamento e estratégia do negócio. Suas prioridades devem convergir com os objetivos da organização. Pensar apenas em sua função ou área é um erro. Para saber, dentre todas as ofertas, qual ‘prato’ você deve devorar, é preciso situar-se dentro do contexto organizacional . Caso contrário, pode falhar na priorização de tarefas.

2 – GERENCIAR DISTRAÇÕES: Emails, visitas inesperadas, funcionários te procurando, preguiça, procastinação… inúmeros são os motivos para interromper o desenrolar de uma tarefa, no entanto, é responsabilidade do executor gerenciar tudo isso a seu favor. Além de programar seu tempo dedicado para cada tarefa, é necessário programar-se para estas interrupções. Já que elas são previstas, defina, também, horário para elas e comunique as pessoas a respeito. Informe o horário que receberá os funcionários para tirar dúvidas e/ou resolver problemas, o horário que estará dedicado aos emails, o horário que receberá fornecedores e assim por diante. Teste e verá como terá bem menos interrupções.

3 – COM O NOVO, INFORME-SE: Com tanta oferta de atividades, às vezes, fica difícil optar por uma. Muitas chamam a atenção! Importante você assumir tarefas que sejam compatíveis com suas habilidades. Isso facilitará a execução. Claro que arriscar também é saudável. Experimentar pratos novos é criar oportunidades, sem dúvida. Mas não vá com muita sede ao pote. Pode ser alérgico a algum ingrediente o tiro sairá pela culatra. Pesquise sobre o prato, entenda como é feito, informe-se e, só então, coloque-o no prato. Assim, garantirá que a execução seja eficiente.

4 – EVITE O DESPERDÍCIO: Se encher o prato, com certeza, vai sobrar comida. Tarefa assumida e não cumprida é sinônimo de demérito para o profissional. Assuma o que é capaz de fazer. A regra é simples.

Meu povo leitor, bom seria se a vó Pretinha pudésse colocar a mesa no mundo corporativo. Foco passaria ser levado a sério.

Abraços e ate mais!

Kelly Gallinari é coach (profissional que aplica o coaching) formada pela ICI (Integrated Coaching Institute).

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