As empresas, seus planos e o horizonte perdido

Por ivan Postigo

Esta coluna é publicada as Quartas Feiras.

Especialistas em gestão no mundo todo dizem que nas empresas não faltam planos, mas determinação para colocá-los em prática e torná-los uma realidade.

A questão que merece ser debatida é: o que são planos, se compromissos não foram assumidos?

Podemos considerá-los exercícios de futurologia ou mesmo uma simples loteria.

Desenham-se sim, com frequência, três cenários: Situação esperada ou normal, uma melhor e outra pior, mas o que isso representa em termos práticos?

Essas projeções estão mais ligadas às respostas de mercado do que às ações que se possa desenvolver na empresas.

O melhor cenário não é desenhando em função de um trabalho de prospecção mais arrojado, mas de um momento econômico favorável.

Poucas empresas, nesse exercício de planejamento, delineiam para quem esperam vender, em que meses e quais volumes. As projeções são feitas na ordem macro.

Dessa forma, o sucesso ou fracasso estão mais ligados às respostas de mercado do que a ações coordenadas.

A economia num país ou mundial experimenta ondas de bons e maus momentos e as empresas precisam aprender a trabalhar com esse fator, tendo sempre o plano B para reação.

Os horizontes para uma empresa podem ser aqueles observados ou aqueles que são criados.

Empreendedorismo é a capacidade não só de aproveitar oportunidades, mas de criá-las. Esta segunda parte da  definição era a predileta de Akio Morita, um dos criadores da Sony.

Foi a visão do plano B que levou um grupo de jovens a desenvolver produtos que transformaram a Microsoft no que ela é hoje.

Gosto de ler biografias por encontrar histórias de muita luta, dedicação, dificuldades, mas vitórias.

Não consigo me lembrar de nenhuma onde o fracasso ou a derrota fossem atores principais. A derrota não faz história, no máximo é um ingrediente para tornar alguém um herói.

Muitas empresas abrem mão de um futuro promissor justamente por falta de compromisso de seus gestores com a sua criação.

Um amigo nos diz sempre, com muita razão, que nas organizações há ralos, por onde escoam idéias, energia, recursos, patrimônio e muita saúde.

Considere, por exemplo, que os lucros do primeiro trimestre do ano na sua empresa foram cinquenta por cento menores do que haviam sido planejados.  Que medidas corretivas ou  ações serão efetivamente  implementadas para recuperar essa perda?

É muito comum os gestores ficarem aguardando a reação do  mercado ou o resultado do próximo trimestre para agirem.

Poucas são as possibilidades de recuperação dos lucros, quando um semestre todo não atendeu as expectativas.

Nesse panorama, os gestores trabalham sob enorme pressão para evitar maiores perdas e não para construir o futuro.

Há situações mais críticas, quando, para superar o desconforto dos maus resultados, assume-se como meta o plano com o pior cenário.

Muitos planos formalizados são repetições dos resultados do ano anterior. No melhor cenário aumentam-se dez por cento e no pior  reduz-se, também, dez por cento as receitas, com alguns ajustes nas despesas.

Isso pode significar não apenas a perda de dez por cento das receitas, mas a entrada na zona do prejuízo.

Esta é uma situação inaceitável.  Formalizar e publicar um plano B ou C, com estas características, é reconhecer a incapacidade de reação da equipe.

Resta, nesse caso, apenas uma saída: Torcer para que não aconteça, pois já não há muito que falar de futuro, o horizonte está perdido.

Ivan Postigo é Diretor de Gestão Empresarial da Postigo Consultoria Comunicação e Gestão, Articulista, Escritor e Palestrante.

www.postigoconsultoria.com.br

Fonte: http://www.qualidadebrasil.com

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